Adoro ganhar presentes em dinheiro XIII

26 de outubro de 2014 por
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Tiririca Como hoje é dia de eleição, a maioria vai continuar a pensar que é livre e que também escolhe em quem votar, a historia não poderia ser outra. Uma historia de; liberdade, felicidade e expansão, no meio de toda essa confusão. Eu tinha me casado e ido morar em Manaus, a minha mulher engravidou no sétimo dia de lua de mel. Era um ano político, eu em pouco tempo havia conseguido ser o diretor comercial do jornal “O Turista”. Ainda era o cara de criação, mídia e ainda atendia contas na agência de publicidade “Ponto de Vista”. E ainda fazia freelancer para políticos.

Eu precisava de muito dinheiro, vinha ai a minha primeira filha, na cidade eu só tinha o meu pai de conhecido, a minha mulher ainda queria ter o neném em Friburgo, perto das nossas famílias, passagens aéreas eram caras, eu estava tentando comprar um apart hotel. E me veio a ideia. Era comum no amazonas os políticos darem cestas básicas de alimentação em troca de votos, outros davam motores pequenos de barcos para o pessoal do interior, todo mundo sabia disso, só não via quem não queria ver, eles precisam mesmo fazer esse carnaval todo, quem banca as campanhas precisa que o povo acredite ser livre e que tem escolhas. E mesmo assim, alguns políticos ainda diziam que, todos acabavam votando mesmo em quem lhes prometia mais coisas ou lhes dava algo a mais no dia da eleição.

Eu mesmo sabendo que ninguém vota mesmo em ninguém, que toda eleição é uma farsa, mesmo assim bolei uma faca gráfica para fazer chapéus e leques de cartolina grossa, com o nome e o numero do candidato impresso. Eram tantos os pedidos que eu tive de contratar algumas gráficas grandes para trabalharem só com esse produto que eu havia criado. Então, era até muito gozado o que acontecia. As filas eram imensas e demoradas, a maioria nem ler e escrever sabiam, todos levavam cola, eles iam com a camiseta do cara que havia dado algo, com a cola já de um outro na mão, e ainda colocavam um chapéu de outro candidato para fugir do sol e se abanavam nas filas com os leques dos candidatos que haviam comprado meu material. E assim, era muito mais fácil copiar os números grandes dos leques e chapéus que os da cola que ficavam jogados no chão das filas. Eu nunca havia ganhado tanto dinheiro vivo junto, em toda a minha vida. comprei um carro novo, mandei minha mulher para Friburgo e adorei os presentes em dinheiro que ganhei por eu ser muito mais; livre, feliz e expansivo…