Desejo Aprender a Apreciar para só Depois Conseguir Criar

6 de setembro de 2010 por
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Esta é a flor Papagaio (Parrot flower), descoberta em 1899, espécie bastante rara da Impatiens Psittassina que existe exclusivamente em locais bem específicos em Burma e também no norte da Tailândia. Dizem que o governo tailandês, ciente de sua raridade e com o intuito de protege-la, proíbe sua exportação, seja por sementes ou mudas.

Cultivá-la fora de seu ambiente natural é praticamente impossível. Ela requer um polinizador natural que só existe naquela região para produzir sementes, e também exige um solo com pH extremamente específico para se desenvolver e florescer.

Novamente temos a natureza nos dando lições… ela o faz o tempo todo, reparamos nisso, ou já perdemos a capacidade de fazê-lo?

 

Há pessoas que olham e conseguem captar as mensagens que são transmitidas. Outras, por sua vez, tornaram-se totalmente “cegas”…sua insensibilidade chega a chocar… podem estar diante da imagem mais bela, mais rara…não sentem absolutamente nada…ou se sentem alguma coisa, logo dizem: “que troço estranho!” e a seguir voltam-se pra sua clausura de sentimentos.

Desgraça das desgraças a tal clausura dos sentimentos… jogamos no lixo nossa capacidade de apreciar.

A flor em questão nos transmite uma bela mensagem. Nos diz que existem forças atuando ao nosso redor, agindo de modo lindo e absolutamente perfeito. Forças que não somos capazes de compreender, mas que estão ao alcance perfeito de nossos sentimentos.

Talvez seja por esse motivo que eu adore estar em contato com a natureza. Amo praticar atividades como o trekking. Cada trilha, cada praia deserta, cada cascata, árvore e arbusto do percurso, cada pequeno animal, nem que seja uma minúscula aranha em sua teia, nos transmite uma vibração de harmonia e de paz.

É preciso abrir o coração e colocar a Alma em estado de profunda apreciação. É nesse estado que atingimos o ponto magnífico de sensibilidade necessário para criar; Tal ponto não envolve não apenas uma flor asiática rara, mas  cada detalhe incrível e único que forma nosso dia a dia. Nosso dia é repleto de lindas raridades…cada um de nossos dias é único e exclusivo. Não devemos encarar o dia de hoje como mais um numa sucessão interminável de rotinas. Se o fizermos, teremos nos transformado em robôs, em máquinas com funções pré-programadas e executadoras sempre das mesmas rotinas.

Não consigo ver um robô desejando e criando. Robôs não criam, apenas executam tarefas.

Robôs até podem ser programados para emitir sons…imaginem um robô “falando” através de seu sistema de auto-falantes: “Eu desejo viajar! Beep!, Eu desejo um novo carro! Beep!, Eu desejo uma casa nova! Beep!, Eu desejo roupas novas! Beep!….”

Desejos estão sendo emitidos repetidamente, mas estamos diante de uma máquina sem sentimentos e, portanto, absolutamente incapaz de criar.

 

Sem sentimentos direcionados ao prazer, ao bem-estar, à beleza da vida e do mundo ninguém cria! Pode passar a vida inteira repetindo “papagaísticamente” aquilo que deseja, mas não criará intencionalmente nem mesmo um penico de plástico pra pôr junto da cama à noite.

Olhar para os nossos sentimentos e procurar focá-los exclusivamente naquilo que nos traz prazer, nos coloca na posição ideal de desejadores capazes de efetivamente criar. Ou seja, nos coloca uma patamar acima do apenas desejar. Atentar para nossas emoções, faz com que tomemos conhecimento que a realidade que desejamos usufruir está existindo, pulsando agora mesmo dentro de nós. Trazê-la para fora, isto é, manifesta-la, é mero detalhe que não me diz respeito. Acontece por si só.